Newsletter do dia 30/04/26

Oi pessoal. Esta é a décima sexta newsletter do Instituto da Ciência do Rejuvenescimento (ICR). Nestas newsletters, contaremos a vocês o que fizemos, desde a última newsletter enviada, para acelerar o desenvolvimento da ciência do rejuvenescimento.

Um importante momento em nosso experimento

Esta newsletter não é como as anteriores. Ela inclui bastante conteúdo técnico, para explicar os resultados obtidos até o momento e como o experimento continuará. Os artigos científicos publicados por Katcher não estavam especialmente claros e completos (o que só pudemos descobrir ao implementá-los na prática), e por isso, essa primeira parte do experimento que realizamos até agora nos ajudou a tornar o experimento muito mais robusto.

Quando iniciamos a reprodução do experimento seminal de Katcher com base em seu artigo de 2023 publicado na revista Geroscience, percebemos que o artigo se referia a todo o conteúdo de exossomos do plasma de porcos jovens como o componente rejuvenescedor, definido como as vesículas extracelulares com tamanho variando de 30 a 150 nanômetros. No entanto, ao analisar outro artigo de Katcher publicado na revista Aging Cell em 2024, é possível perceber que o componente rejuvenescedor não é descrito como todo o conteúdo dos exossomos, mas como uma parte específica e relativamente pequena desse conteúdo. É importante notar que, na composição relativa ao artigo da Geroscience, Katcher também descreveu a inclusão de vesículas extracelulares maiores que os exossomos. Assim, havia duas composições possíveis a serem testadas. A primeira composição que produzimos foi a baseada no primeiro artigo, publicado na Geroscience em 2023.

O resultado do teste dessa primeira composição em ratos idosos foi que ela não rejuvenesceu os animais. Realizamos um teste de força de agarre antes da injeção e dois testes de força de agarre após as injeções. Se o rejuvenescimento tivesse ocorrido e tivéssemos reproduzido os resultados de Katcher, a força de agarre teria sido consideravelmente maior 15 dias após o término das injeções do tratamento. No entanto, não houve diferença significativa até então entre os animais do grupo controle e os tratados. Abaixo vocês podem ver os resultados dos três testes de força de agarre. O aumento da força de agarre tanto nos ratos do grupo controle quanto nos tratados após a administração do tratamento provavelmente se deveu a um efeito de treinamento nos animais (eles estavam mais acostumados a realizar o teste).

Alteração média na força de agarre em porcentagem. Animais controle em azul, e tratados em vermelho. A estrela representa quando o tratamento foi administrado.

Além disso, a perda de peso foi aproximadamente a mesma nos ratos do grupo controle e nos ratos tratados, como se pode observar nos gráficos das quatro medições de peso abaixo.

Alteração média no peso em porcentagem. Animais controle em azul, e tratados em vermelho. A estrela representa quando o tratamento foi administrado.

Também coletamos amostras de sangue dos ratos antes e aproximadamente um mês após o tratamento. Teremos os resultados desses testes de sangue após o término de todo o experimento. Porém, a partir das medições de força de agarre e peso, ficou claro que os resultados de Katcher não estavam sendo reproduzidos. Como os ratos já estavam (e estão) muito velhos e frágeis, decidimos não realizar o teste de memória (que leva 9 dias consecutivos, e para o qual os ratos precisam ser transferidos para outra instalação), também porque, no experimento de Katcher, o primeiro teste de memória mostrou uma melhora relativamente pequena, já que, aparentemente, a memória é uma das últimas coisas a melhorar no rejuvenescimento.

Em conclusão, nesta primeira parte do experimento, conseguimos testar uma composição total de exossomos (baseada no artigo de 2023 na Geroscience), e o resultado foi que ela não causou um rejuvenescimento agudo como o relatado no experimento de Katcher.

Segunda composição será testada no início de novembro

Agora, estamos nos preparando para testar a segunda composição (aquela baseada no artigo da Aging Cell de 2024). Na semana passada, fomos à fazenda coletar sangue de porco para começar a preparar essa composição. O problema é que, como essa nova composição usa apenas uma pequena fração da gama total de exossomos, é necessária uma quantidade maior de sangue de porco para produzi-la. Além disso, o tempo para coletar as frações adequadas na coluna cromatográfica é mais longo. Também não podemos usar os mesmos ratos para testar essa nova composição, pois eles já estão muito frágeis e velhos. Portanto, para a nova composição, usaremos um novo grupo de ratos velhos que só estarão na idade certa para o tratamento no início de novembro, daqui a cerca de seis meses. De qualquer forma, precisaríamos de vários meses para preparar a nova composição, também porque, no início de novembro, injetaremos a composição não apenas em ratos velhos, mas também em ratos jovens.

No primeiro tratamento, usando a primeira composição, utilizamos ratos com idade média de 21 meses; tínhamos 10 ratos no grupo tratado e 10 no grupo controle. No entanto, os animais começaram a morrer muito cedo, tanto no grupo tratado quanto no controle, e por isso temos certeza de que, após 5 meses — que é a duração prevista para todo o experimento — mesmo que o tratamento fosse bem-sucedido, teríamos muito menos do que 10 animais no grupo controle, o que prejudicaria os cálculos estatísticos. Portanto, para esta nova composição, utilizaremos animais idosos “mais jovens”, com cerca de 12 meses de idade. Dessa forma, poderemos realizar os 5 meses completos do experimento, incluindo as duas doses (separadas por 3 meses), e teremos relativa certeza de que, 5 meses depois, ainda teremos 10 ratos do grupo controle, ou quase isso.

Curva de sobrevivência dos ratos

A propósito, essa foi uma constatação muito importante que tivemos ao realizar esta primeira parte do experimento: é extremamente difícil conduzir os 5 meses de experimento (incluindo duas doses separadas por 3 meses, testes de força de agarre, testes de memória, marcadores sanguíneos e testes epigenéticos) se iniciarmos o experimento depois que os ratos Sprague Dawley já tiverem mais de 20 meses de idade. No artigo da Geroscience, a idade inicial dos ratos idosos não foi descrita com precisão, mas é indicada no texto como sendo entre 18 e 24 meses e nos gráficos como sendo em torno de 25 meses. No artigo da Aging Cell, a idade inicial dos ratos idosos é descrita como sendo de 24 meses.

No entanto, com base na curva de sobrevivência que obtivemos dos ratos que tínhamos inicialmente (mostrada abaixo), concluímos que, para podermos realizar todo o experimento de 5 meses e concluí-lo com 10 animais (ou algo próximo disso) por grupo, precisaríamos iniciar o experimento quando os ratos idosos/de meia-idade tivessem 12 meses de idade, encerrando-o quando tivessem 17 meses — certamente já idosos. Portanto, quando injetarmos a nova composição no início de novembro, iniciaremos o experimento com os ratos velhos com os animais tendo 12 meses de idade. Os animais jovens terão cerca de 7 meses de idade no início de novembro. No gráfico abaixo, que corresponde à nossa curva de sobrevivência dos ratos, vocês podem ver que, na idade em que injetamos a primeira composição (20 meses de idade para uma parte dos ratos e 22,5 meses de idade para a outra parte), cerca de 50% dos 42 ratos que tínhamos inicialmente já haviam morrido.

Curva de sobrevivência dos animais em porcentagem de animais vivos versus idade dos animais. Animais nascidos em 15/05/2024 em azul, e nascidos em 31/07/2024 em vermelho. A estrela representa quando o tratamento foi administrado.

Em resumo, no início de novembro (daqui a seis meses), testaremos uma composição específica de exossomos (baseada no artigo de 2024 na Aging Cell) e não uma composição com todos os exossomos. A diferença entre as duas composições é considerável, então acreditamos que o resultado final do experimento ainda é bastante incerto. Nos próximos seis meses, teremos que produzir a nova composição em quantidade suficiente para duas doses para 10 ratos velhos e 10 ratos jovens, o que será possivelmente um desafio, visto que a quantidade de sangue de porco necessária e o tempo de processamento serão maiores que para a primeira composição. Aliás, a descoberta de que a segunda composição demora mais para ser produzida do que a primeira pode responder em parte por que Katcher menciona em suas entrevistas com tanta frequência a dificuldade de produzir o composto rejuvenescedor na quantidade necessária para rejuvenescer um ser humano ou grandes animais. Aparentemente, essa pequena fração do conjunto de exosomos demora muito para ser isolada, e é isso que vamos descobrir e contar para vocês, nessa nova fase do experimento, em cujo final esperamos ter ratos rejuvenescidos. A luta continua!

Referências:

Artigo de 2023 da Geroscience: Reversal of biological age in multiple rat organs by young porcine plasma fraction

Artigo de 2024 da Aging Cell: E5 treatment showing improved health-span and lifespan in old Sprague Dawley rats


Este é um esforço coletivo

Este experimento é um esforço coletivo para reproduzir o estudo seminal de Harold Katcher, em que o ICR conta com a contribuição daqueles interessados na realização do experimento. Assim, se você conhecer alguém que possa se interessar pelo conteúdo desta newsletter, fique à vontade para encaminhá-la para esta pessoa. Da mesma forma, se você ainda não for um contribuidor financeiro, convidamos você a se tornar um, clicando neste link.

Então é isso. Seguimos em frente, e não vamos descansar até implementar o rejuvenescimento em seres humanos. Até mais!

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